LingerieDay – queimando algumas bruxas e sutiãs

Escrito por Pablo Peixoto em 31.07.2014

Hoje é o dia do Lingerie Day, um evento onde, que pra quem não sabe, as meninas do twitter são convidadas a trocar suas fotos de perfil por outras usando roupa íntima. A coisa toda gera todo ano diversas polêmicas sobre o papel da mulher e se o ato de se expor em fotos intimas seria um ato de libertação ou volta à prisão.

Desde o início do Século XX as mulheres passaram o diabo para serem consideradas “gente”. Com os homens morrendo nos campos de batalha das Guerras Mundiais elas ocuparam as fábricas, posições de trabalho e consequentemente poder aquisitivo, o que no mundo capitalista é poder puro e simples.

Então, após 50 anos de luta para se individualizar, o que levaria essas mulheres que, na contramão da revolução se portam como objeto?

Uma questão também levantada é “A mulher está usando seu corpo para se promover, logo isso é condenável” Usar o cérebro é mais digno? Usar dinheiro é mais digno?

Dispa-se de preconceitos enraizados profundamente em nossa sociedade e na nossa maneira de enxergá-la: Quando você vê um homem feio com uma mulher bonita, você pensa: “Só pode ser rico”?  Seria a riqueza um bem menor que a beleza que é um bem menor que a inteligência?

Dizer de uma pessoa que ela “só casou com ele porque ele é rico” é tão fútil quanto dizer “porque era bonito” ou “porque era inteligente”. Não existe nada de errado em se promover usando a beleza. Todos merecemos lutar nossos espaços, para isso usando as armas que foram disponibilizadas.

Assim, ao mesmo tempo em que a mulher está se prestando a um papel de carne de açougue e enredo barato de masturbação adolescente em uma busca vazia pela fama e apesar da coisa toda tomar ares de uma debochada cafetinagem online, tem algo de libertário, desafiador e revolucionário no lingerieday.

É a mulher se libertando da culpa religiosa e da sua condição de um tesouro que deve ser guardado a sete chaves. As religiões durante muitos anos trataram as mulheres como um ser inferior, feito para o usufruto de seu marido. A máxima é:  antes do casamento nada de sexo, depois do casamento, nada de orgasmo.

Nosso machismo encravado se apodera dessa culpa para tachar de vadia, vagabunda e biscate, qualquer mulher que expõe sua sexualidade, que durante séculos foi reprimida e tratada como pecado mortal. Um conservadorismo hipócrita, retrogrado e covarde.

Portanto, assim como as mulheres do início do século passado chocaram os conservadores com suas lingeries, queimando-as em praça pública, essas mulheres de hoje usam isso para o mesmo fim. Em outras palavras, através do Lingerieday as mulheres estão dizendo “Nós também temos direito de gozar”.