O dia em que eu fui o baixista substituto dos Engenheiros do Havaí

Escrito por Pablo Peixoto em 15.05.2014

Parece difícil de acreditar, mas além de quase ser o Erasmo eu também, no melhor estilo “O Impostor” fui baixista substituto nos Engenheiros.

Tudo começou quando um amigo meu, que monta equipamento de palco me chamou para esse show da banda gaúcha em Cataguases-MG. Eu não gosto muito dessas exposições agropecuárias, frio, aglomeração e brigas, mas com a perspectiva de ver o show das coxias, ver os bastidores da apresentação e quem sabe até filar um vinho no camarim, topei.

Tudo certo. Comprei meu ingresso, cheguei, comprei uma cerveja, localizei meu amigo e entramos na área especial. Tudo maneiro e tranquilo. Quando minha cerveja acabou, pensei, vou até a barraca comprar mais uma, depois eu volto. Foi aí que começou a confusão.

Fui impedido de sair da área especial por um segurança. “Não! Ninguém pode sair”, disse ele. Eu tentei explicar que eu ia apenas comprar uma cerveja e que já estava voltando, mas o leão-de-chácara não cedia. O único jeito de eu sair seria pelos fundos, o que implicaria comprar outro ingresso para entrar novamente do show. Engraçado é que, ao mesmo tempo em que eu queria sair, tinham várias fãs do Gessinger e companhia querendo entrar, pra tentar falar com ele e sabe lá o que mais naquele fogo todo.

Ou seja, todo mundo querendo entrar e só eu querendo sair.

Não tive outra alternativa a não ser ver o show a seco. Era a turnê do Acústico MTV e embora não gostar tanto dos Engenheiros como na adolescência, é sempre legal ver um show assim tão de perto. Alguns metros de distância. Por sorte, fiz algumas amizades com o pessoal da técnica e filei alguns copos de vinho branco do camarim dos músicos como planejado.

O mais divertido estava por vir. Quando acabou o show, a banda foi pro camarim, eu fiquei na lateral do palco e vi chegar uma horda de menininhas adolescentes com cds na mão, ávidas por um autógrafo.

“Você é da banda?” me perguntaram.

Com um delicioso sorriso no rosto arrumei o cabelo, a jaqueta e respondi confiante: “sou sim, toco baixo quando o Humberto vai pro piano”. Pronto, foi só falar isso para que as meninas (que provavelmente não repararam que eu NÃO toquei no show) darem gritinhos histéricos e arremessarem capas de cds e canetas para mim, para que eu as autografasse.

Resultado: Hoje vários CDS do MTV acústico Engenheiros do Havaí contam com o meu elegante autógrafo na capa.

PS. Se alguma leitora tiver um desses, mande uma foto, por favor, quero guardar de lembrança