OS EFEITOS ESPECIAIS ROOTS DE TOTAL RECALL

Escrito por Pablo Peixoto em 13.03.2014

 

A era dourada do cinema de ação de Hollywood, entre os anos 80 e 90, muitas vezes é associado com Arnold Schwarzenegger. Lembre-se de “Conan, o Bárbaro”, “O Exterminador do Futuro”, “Comando para Matar”, “Predator”, “True Lies”.  Sem esses filmes  é difícil imaginar o cinema-pipoca norte-americano do século passado.

Em meados dos anos 80, “Iron Arnie” teve a sorte de se encontrar com o diretor holandês Paul Verhoeven, o mesmo do Robocop original. Os dois gênios começaram a trabalhar em uma novo filme, que também estava destinado a entrar para a história.

“Total Recall”, que no Brasil teve o oportunista nome de “O Vingados do Futuro”, foi um dos mais altos orçamentos daquele tempo. O título abriu caminho para “O Exterminador do Futuro 2”, que conseguiu ter um orçamento ainda maior. É compreensível, porque depois do filme de Paul Verhoeven, Arnold Schwarzenegger garantiu o título de astro de primeira grandeza e seu cachê cresceu junto.

É surpreendente descobrir que, apesar do preço de “Total Recall”, existe apenas um grande efeito de computador. A cena em que o protagonista, junto com outros passageiros passam pelo raio-X. Enquanto os passageiros passavam, inclusive com cachorros, a tela gigante mostra esqueletos que finalmente são re-convertidos em pessoas quando atravessam a máquina. Um efeito surpreendente e intrigante para a época.

À primeira vista, visão dos anos 10, parece que a criação de animação “raio-X” não é nada complicado, mas é. Especialistas tiveram que calcular a transparência e sobreposição de todos os ossos dos figurantes.

Para começar, precisaram retiras a proporção das pessoas no Raio-X. Arnold Schwarzenegger vestiu uma roupa branca com 18 sensores de luz reflexivas. Cada movimento do ator foi gravado simultaneamente por seis câmeras em preto-e-branco. Daí, o computador analisava a mudança da localização dos sensores e calculava a posição do “esqueleto”.

Todas as cenas foram filmadas bem rápido, faltando dois dias para o fim do prazo, o diretor ficou satisfeito com os resultados que já tinha. Mas o trabalho estava só começando…

Em vez de alguns dias para o processamento do material, os cálculos levaram várias semanas. O Método de captura de movimento através de sensores não atingiu as expectativas. Como resultado, os técnicos resolveram terminar manualmente. Os computadores mais poderosos da época trabalhava no limite, o programa criado especialmente para calcular a opacidade dos ossos  quebrou. Depois de uma incrível quantidade de horas de trabalho, finalmente ficou pronto.

Durante as filmagens, enquanto atores passavam pelo “raio-X”, o cachorro resolveu fazer suas necessidades. Apesar da imagem detestável  Verhoeven decidiu manter a tomada, para distrair a atenção dos telespectadores para qualquer imperfeição no efeito.

A fotografia principal da Marte de “O Vingador do Futuro”, foi realizada no México. Lá encontraram o terreno apropriado com areia avermelhada. Foi no deserto do México que foi filmada a cena final, quando o vilão, o protagonista e sua mulher caem no chão e começam a inchar em um efeito bem bizarro.

Perto da capital mexicana construiram uma enorme maquete da paisagem e do reator, e para os cenários da estação de metrô usaram o metrô local. Os cineastas ainda tiveram que alugar um armazém de 2.000 metros quadrados – os estúdios simplesmente não tinham espaço para armazenar aquela enorme quantidade de layouts de paisagens.

Quase todas as fantásticas paisagens marcianas foram recriados em miniatura, com a ajuda de um especialistas da Nasa. Modelos em miniaturas foram feitos para tudo o que vemos na tela (trens, carros, espaçonaves, reator de oxigênio)

Uma das coisas mais impressionantes de “Total Recall” na época foram os mutantes como Kuat, os gêmeo siamêses. Nos momentos em que vemos os dois, temos um boneco animado. Para o efeito, foram construídos seis marionetes, que precisavam de até 15 pessoas para manipular. Geralmente, um controlava o movimento do corpo humano, o segundo – a cabeça, um terceiro era responsável pelo movimento dos lábios de Kuat, um quarto – para a mobilidade das mãos, olhos, o quinto fazia o boneco cuspir, e assim por diante.

O boneco foi criado com uma enorme quantidade de peças mecânicas de movimento, a maioria deles eram ativados remotamente usando rádio. 

Finalmente, a clássica prostituta de três peitos que se tornou-se quase a marca registrada do filme. Os cineastas afirmam que  todos os três seios eram falsos. Fizeram uma prótese de espuma preenchida com sacos de água e maquiagem para ficarem da cor da pele.

Para a desconfortável cena da retirada da sonda foi montado um molde da cabeça de Arnold Schwarzenegger. Várias cópias de cabeças  tiveram que ser usadas até atingir um resultado minimamente convincente.

Lembra do disfarce de mulher gorda? Lembra quando o Arnoldão tira a máscara que se abre em camadas? Não há nenhum efeito de computador ali – tudo isso é uma boneca real, com um mecanismo de rosto. Hoje, isso pode ser muito menos dispendioso com a ajuda da tecnologia digital, porém, naquele tempo, os cineastas criaram agora uma maravilha da engenharia.

Para criar um táxi foram usados chassis de um velho Volkswagen.

Paul Verhoeven tentou brincar com a imaginação do espectador. Por exemplo, quase no início do filme aparece uma garota que pinta as unhas com apenas um toque de um dispositivo, também a alta interatividade da TV,  algo que é bem mais reais hoje do que na época. Tudo isso não teve efeito sobre o enredo mas, precisaram de uma grande quantidade de recursos. Todas essas cenas ajudam a convencer o espectador que o que está acontecendo na tela é real.

 “Total Recall” de Paul Verhoeven tentou trazer efeitos especiais mais realistas possíveis, apesar de todos os custos adicionais. Por exemplo, ele recusou cenas estáticas, preferindo câmeras móveis sobre a superfície marciana.

No total (Recall, hehe), foram escritas 42 versões do roteiro, o diretor holandês nostalgicamente relembra todo o período de filmagem e se recorda sem mágoa de como toda a equipe sofreu com febre, náuseas, desidratação e diarréia no México.

Paul Verhoeven deixou uma dica de que o final feliz em “Total Recall” pode não ser real. No final do filme, imediatamente após o beijo final, a tela se enche com luz brilhante. Segundo o diretor, ele queria mostrar que aquela cena poderia fazer parte das “memórias” irreais e todo esse tempo Arnold estava sentado na cadeira de implante de memória.

Coisa do TechOnliner