10 Brinquedos que enlouqueceram minha infância

Escrito por Pablo Peixoto em 12.03.2014

Sou da “Geração Action Figure”. Nunca tivemos tantas coleções de bonecos ou hominhos (como eram aqui conhecidos) como nos anos 80 e hoje me deu vontade de compartilhar com vocês um pouco dessas preciosidades. Então vamos lá:
Vamos fazer uma lista das dez coleções de Action Figures que formaram meu caráter:

10- FALCON

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Vindos do final da década de 70, me lembro pouco dos tais Falcons, bonecos inventados nos EUA durante a guerra do Vietnã, com o nome de GI JOE, para que os garotos americanos crescessem dando suporte à luta contra o comunismo no oriente. O Falcon eram muito legal. Um boneco grande, com roupas de pano e acessórios realistas.

Como era o primeiro boneco inventado para meninos, o Falcon tinha preconceitos para vencer. Então, para não parecer com uma boneca amiga da Barbie, o Falcon original tinha que ser o mais machão motherfucker possível, logo, a barba de camurça e a cicatriz horrível no rosto. Como se sabe, cicatrizes de guerra é que definem a macheza de um homem.

Alguns bonecos ainda vinham com o revolucionário, porém inquietantes “olhos de águia”, um gatilho na nuca que fazia o velho guerreiro olhar para os lados, paranóico. Com o tempo, o Falcon foi afrouxando sua testosterona. Descobriu-se que a guerra não era nada romântica e o apoio à ela começou a perder força na opinião pública americana. Seguindo a tendência, o velho soldado se tornou um explorador, defensor ecológico, patrulheiro espacial e outras bobagens, estragando um bom conceito inicial.

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Pontos Fortes: O Falcon tinha veículos imensos proporcionais ao seu tamanho, como um jipe e um helicóptero maneirissimo que girava a hélice e tinha uma corda com gancho.

Pontos Fracos: Os Bonecos Falcon se auto destruíam com o tempo. As juntas, muito frágeis e flexíveis se rompiam esquartejando os bonecos. Até pouco tempo atrás eu tinha uma cabeça de um dos “olhos de agia” que ficava perturbadoramente olhando pros lados procurando quem havia o decapitado. Medo.

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09- PLAYMOBIL

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O Playmobil é uma marca surgida na Alemanha Oriental (acreditam nisso?) e que em pouco tempo ganhou lares e corações em todo o mundo. Tratava-se de um brinquedo genérico. Os heróis de Playmobil podiam tanto ser Piratas, índios, cavaleiros ou modestos entregadores do correio. A vantagem é que deixava livre a imaginação e você poderia situar suas histórias em diversos locais e períodos históricos. Como um quê a mais, os Playmobil podiam trocar de perucas por cima de suas cabeças ocas, o que era muito divertido.

Pontos Fortes: Diversidade. Como dizia o jingle: “São diversas aventuras no mundo Playmobil”. Os Playmobil poderiam ser o que você quisesse, era só substituir alguns acessórios e eram outra coisa, o que tornavam as brincadeiras quase infinitas.

Pontos Fracos: Falta de articulação. Apesar de simpáticos, os bonequinhos tinham apenas 3 movimentos, cabeça, braços e quadril (para se sentar) o que atrapalhava um pouco. Posteriormente surgiram bonecos que giravam os pulsos, o que ajudou bastante. Outro contra era que, de tantos módulos, era praticamente impossível completar uma coleção. No panfleto, que vinha com cada caixa, tinham amostras das possibilidades, desde os modestos mergulhadores até o circo, com coreto, palhaços, leões e picadeiro. Sonho de 10 entre 10 crianças da minha geração.

08 – SOS COMANDOS

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Se você não sabe, o filme “Comando Para Matar” já rendeu suas próprias action figures, por assim dizer. Era a turma de Cronos, um boneco réplica da roupa usada por John Matrix (tinha até o lança mísseis portátil que aparece no filme), que com seus amigos lutavam pela justiça e (advinha?) liberdade. Os bonecos, (na coleção ainda tinha White Billy, Willie Go, Shark, Mattone) eram pequenos e maleáveis e tinham a vantagem de não se quebrarem facilmente e podiam ter equipamentos muito legais, como um helicóptero, armado até os dentes. As armas também tinham destaque, as facas e pistolas vinham com coldres, o que tornavam a brincadeira muito mais legal.

Pontos Fortes: Os caras da campanha de divulgação dos S.O.S Comandos inventaram uma hot-line, onde você podia todos os dias ligar e ouvir uma aventura diferente dos heróis e ainda receber uma edificante lição de moral. Perdi a conta de quantas vezes pedi na escola pra ligar pra casa, mas na verdade estava ouvindo a hotline dos SOS Comandos.

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Pontos Fracos: Poucas unidades. Com só uma série, os Comandos tinham apenas 8 personagens, muito parecidos entre si, o que tornava a brincadeira fácil de enjoar. Os SOS Comandos também tinham dificuldade para ficar de pé e precisavam de bases apropriadas.

07- SECRET WARS

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Pela primeira vez Action Figures dos heróis da Marvel chegavam às lojas de brinquedos. Antes disso, a gente tinha aqueles ridículos bonecos estáticos moncromáticos. Secret Wars, baseada na rocambolesca série homônima dos quadrinhos traziam personagens Marvel famosos: Homem Aranha, Capitão América, Homem de Ferro e outros nem tanto: Kang, Demolidor, Magneto, para as aventuras caseiras. Foi o primeiro boneco do Wolverine que eu vi na vida. Eu, que tinha acabado de ler a série do Frank Miller, pirei.

Pontos Fortes: A Força da marca Marvel. Eram personagens consagrados e que vinham com um curioso e duvidoso escudo de mensagens secretas, que eram uma espécie de holograma. As fortalezas também deixavam todo mundo maluco.

Pontos Fracos: Eram muito, mas muito mal-feitos. As garras do Wolverine eram removíveis, Magneto não tinha capa. O uniforme do Aranha só tinha teias na frente. Parece que a Guliver correu para lançar o brinquedo e deixou tudo mal-acabado. Mas pra quem não tinha nada, um era o dobro.

06- SUPERPOWERS

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Depois dos heróis da Marvel, foi a vez dos heróis da DC darem o ar da graça. Com esta incrível coleção, a DC deu um banho na concorrente, com bonecos bem-acabados, design fiel ao desenho animado e pinturas bem feitas. Batman, Robin e Super-Homem, por exemplo, tinham capas de pano, todos os heróis vinham com um movimento especial: Mulher maravilha levantava os braceletes, Aquaman batia as pernas, o fanfarrão homem elástico levantava o pescoço.

Pontos Fortes: O Bat-movel. Um dos brinquedos mais sensacionais que conheci na minha infância, o Bat-movel dos Superpowers fazia barulho de motor, acendia faróis, tinha uma série de armas escondidas e era muito fiel ao modelo da época.


Pontos Fracos:
Os movimentos especiais eram ativados por um apertão nas pernas ou braços dos personagens, isso se desgastava com o tempo, deixando os figures meio molengos.

05- HE MAN

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Esse também fez muito sucesso. Baseado no desenho animado hit nos anos 80, os bonecos marombadíssimos de He-man fizeram sucesso entre as crianças brasileiras. Eles tinham armas próprias e um movimento especial onde a cintura se movia para simular um golpe.

Pontos Fortes: Fidelidade com o original. Nessa época, os desenhos eram criados especialmente para dar suporte à venda de brinquedos. Os personagens de He-man eram assim, todos de tanguinha e botas de pelúcia, o que facilitava e barateava a produção dos bonecos. Assim, os figures eram bastante fieis aos originais da TV. Destaque para o gato guerreiro com armadura removível e a pantera do Esqueleto que tinha um pelo de camurça. O castelo de Greyskull também era um sonho de consumo.


Pontos Fracos: Mesmo modelo, bonecos iguais. Por este motivo, todos os bonecos de He-man (fora Teela e Feiticeira, que também eram iguais) tinham a mesma complexidade física, o que era meio estranho.

04- TRANSFORMERS

Os Transformers foram um sucesso estrondoso na TV, assim, logo todas as indústrias de brinquedo do Brasil criaram sua própria linha de carros-robôs. A Estrela tinha o direito do nome Transformers. A Mimo lançaria os Converts e a Glaslite os Mutants. O País foi invadido por uma variedade tal de veículos-robôs que era impossível completar uma coleção. Mesmo assim, alguns modelos eram clássicos.Quem nunca teve os Converts Locomotiva e Ônibus Espacial, levante o dedo!

Pontos Fortes: Variedade e criatividade. Como disse, eram muitos modelos no mercado, helicópteros, jatos, carros de polícia, qualquer veículo que você pensasse tinha um modelo robô à disposição, tipo o que acontece hoje em dia com as séries de “hot wheels”.

Pontos Fracos: Faltou fidelidade com os desenho. Apesar de bem intencionados era difícil reconhecer no desenho animado os brinquedos vendidos na loja, por exemplo nunca tivemos por aqui um Optimus Prime decente.

03– RAMBO

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No fim dos anos 80, o ex-herói de guerra neurótico Rambo ganhou um desenho animado bocó na TV. Junto com os desenhos vieram alguns dos mais impressionantes brinquedos de ação que eu me lembro. A fidelidade das armas era incrível e a articulação dos bonecos, principalmente da segunda série eram surpreendententes. A coleção tinha personagens criativos e que rendiam brinquedos interessantes. Eram terroristas árabes, gênios do crime, malucos da selva, ciborgues. Tudo que você podia querer para uma boa aventura.

Com esta coleção, Rambo (com camisa e sem camisa) e seus amigos Turbo e K.A.T. estava prontos para lutar pela liberdade e pelo controle das fontes de petróleo mundial. Foi a única coleção que cheguei a completar.

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Pontos Fortes: Fidelidade com o armamento real. Na ficha dos personagens tinha a descrição das armas, todas réplicas bonitas e condizentes com o personagem. M-16 e Desert Eagle para os mocinhos AK-47, Beretas e Uzis para os vilões.

Pontos Fracos: Os bonecos importados (para variar) eram muito mais bem feitos. Lembro-me que o boneco de Mr. Hyde tinha uma abertura nas costas para colocar pilhas que simplesmente não funcionava. Não sei o que ele deveria fazer, provavelmente acendia a cabeça. Por contenção de gastos, cortaram o equipamento elétrico, Ficou faltando.

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02- SECTAURS – OS GUERREIROS DE SYMBION

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Uma das figuras de ação mais legais já inventados. Os Sectaurs eram guerreiros mutantes insectóides que lutavam pela supremacia em um planeta alienígena. A caracterização dos bonecos, todos acompanhados de uma mascote animal era criativa e bastante diferenciada dos outros brinquedos da época. As armas também seguiam o estilo bio-mecânico e tinham um design caprichado. Destaque também para a cor metálica aplicada nos bonecos, que ficavam bonitos e realistas, principalmente pra época.

Postos Fortes: Pega Rex!! Muitos personagens vinham com animais guerreiros, como um cupim que mordia de verdade, um escorpião que lançava um gancho, uma aranha que cuspia veneno e uma vespa que batia asas de verdade. Criatividade total.

Pontos Fracos. Uma linha pequena. Outro brinquedo que infelizmente só teve uma série no total de oito bonecos. Uma pena, merecia mais.

01- COMANDOS EM AÇÃO

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Provavelmente este é a linha de figuras de ação mais famosa no Brasil. Sua similaridade com os “Falcon” é justa e a explicação é bem interessante. No fim dos anos 70, uma crise do petróleo aumentou significativamente o preço de seus derivados, entre eles, o plástico. A indústria de brinquedos não viu outra solução do que diminuir o modelo de seus brinquedos GI-JOE para o tamanho de 10 cm que conhecemos. Estavam assim criados os Comandos em Ação.

A baixa estatura pôde dar aos Comandos e aos seus antagonistas “Cobras” uma variedade incrível de veículos em tamanho proporcional, que se tornaram a grande atração da coleção. Destaque para o Helicóptero Apache (Jatocóptero de Combate), O caça F-14 (Super Caça-Bombardeiro) e o avião de reconhecimento Blackbird (Aeroforça Noturna), de propriedade dos Cobras. Todos os personagens eram peritos em alguma missão de guerra, espionagem ou reconhecimento e vinham com uma ficha, sempre com um nome de código de respeito. Ainda lembro que todos os codenomes originais terminavam com “on”: Gladion, Falcon, Dragon Triton e Electron. Snake Eyes aparecia, mas era um vilão, o Invasor!

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Pontos Fortes: Variedade. A linha Comandos em Ação se estendeu por anos, oferecendo diversas séries diferentes de heróis, vilões e veículos de combate.

Pontos Fracos: Durabilidade. Quem nunca quebrou um dedo polegar de seu Comando? e o elástico da cintura que sempre se rompia após missões complicadas? Tinha ainda a articulação do pescoço, que sempre se desgastava, deixando seu herói meio cabisbaixo. Os bonecos eram frágeis e as armas não ficavam bem em suas mãos. Ponto fraco para soldados tão duros-na-queda.

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