O dia em que eu (quase) fui o Erasmo Carlos

Escrito por Pablo Peixoto em 20.02.2014

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 Joinha!

 No início de 2009 algo estranho e inusitado me aconteceu. Algo que, agora que já passou bastante tempo eu posso dividir com vocês.

Como poucos sabem, sou (ou fui?) responsável pela comunidade oficial “Erasmo Carlos” do Orkut e pelo Projeto Tremendão, que reuniu bandas independentes para gravar músicas dos anos 70 do Erasmo.

Devido a essa proximidade com a obra do cantor, um dia fui contatado por uma produtora paulista que me perguntava se eu conhecia alguém parecido com o Erasmo jovem para fazer o papel dele em um comercial de TV junto com um sósia do Roberto jovem.

Bem, perguntei, se tem alguém que mudou muito com os anos foi o Tremendão. Mandei algumas fotos antigas para ela se decidir qual aparência ela queria. Acabou se decidindo por uma daquela fase Elvis, com topete e costeleta.

A gentil produtrora ainda completou: “a gente queria uma coisa tipo aquela sua foto no Orkut”. Ao ouvir um: “sou eu mesmo naquela foto”, ela prontamente perguntou:

“Ah meu, porque você não faz o Erasmo?”

Eu tenho plena consciência de que, além de não ser ator, não guardo um só traço ou característica física do Tremendão, meu cabelo é castanho e liso, o dele encaracolado e negro, minha pele é clara a dele morena, meu nariz é pontudo o dele redondo. Porém, com a insistência da moça e ao saber do cachê (alguns zerinhos interessantes) topei o desafio. Tinha que mandar um vídeo no dia seguinte, mas por total falta de tempo, tentei entrar em contato para conseguir mais tempo.

Porém, a moça sumiu, não mais ligou, nem estava disponível no telefone. Depois descobri que já tinham escolhido os atores. Pra mim foi um misto de alívio e decepção. Apesar de não ter o menor talento ou aparência para o papel, teria realmente gostado de interpretá-lo.

No fim, a campanha acabou indo ao ar, mas o comercial não… Usaram uma idéia diferente, que nem chegava perto da que me enviaram (uma conversa de Roberto e Erasmo). Não sei porque. Provavelmente pela dificuldade de se liberar a música, a impossibilidade de se negociar qualquer coisa que envolva a imagem do Roberto, o cliente chiou do orçamento ou simplesmente porque pensaram em algo melhor.

Quem trabalha em agência de propaganda sabe que isso acontece muito, você tem uma boa idéia que simplesmente não tem condições (logísticas, financeiras ou técnicas) de ser realizada.

Ficou a história que hoje compartilho com vocês.