Já pensou em sistema de cotas para Super-Heróis? A Hanna-Barbera já!

Escrito por Pablo Peixoto em 30.01.2014

Acho que todo mundo que passa por aqui deve conhecer o desenho animado “Superamigos” que teve trocentas temporadas e até hoje passa nos canais de nostalgia das tvs a cabo da vida.

O desenho, o primeiro focando o poderoso panteão da DC, trazia como elenco fixo: o Super-homem, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman, Robin,  os ridículos Supergêmeos e o macaco Glick, pra fazer a conexão com a garotada e trazer o alívio cômico, (na primeira temporada eram os igualmente odiosos Wendy, Marvin e o Supercão). Como se só o inútil Aquaman já não fosse o suficiente pra fazer a gente rir.

Esporadicamente o desenho contava com as participações de outros heróis da DC, como o Átomo, Gavião Negro, Lanterna Verde, Flash, Cyborg, Arqueiro Verde, Homem Elástico e Tempestade (“O” Tempestade, que nas HQs se chama Nuclear). Mas o que poucos sabem o porquê, apareceram também personagens que nunca tinham sido vistos nos quadrinhos.

Os EUA são conhecidos pelo seu comportamento politicamente correto, principalmente se tratando de uma atração pra crianças. Alguém provavelmente em um brainstorm levantou o fato de que todos os Superamigos eram brancos e que isso não pegava nada bem. Então algum gênio da Hanna-Barbera teve a brilhante idéia de incluir no desenho personagens de várias etnias, que dessem conta da diversidade cultural do país. Uma espécie de sistema de cotas para a Sala de Justiça. Porém, o que surgiram foram clichês culturais e estereótipos inadequados que acabaram prestando um desfavor ao objetivo inicial:

Chefe Apache

Provavelmente o mais lembrado por ter ficado realmente no imaginário infantil, O Chefe Apache era aquele cara vestido com uma roupinha de carnaval e faixa na cabeça que, quando dizia as palavras mágicas: “Inyuk-chuk” (homem grande, dã) aumentava seu tamanho até a estatura de 16 metros. Ele ganhou este poder de um xamã Apache em troca de salvar algumas pessoas que estavam em perigo. No desenho, o Chefe falava como um índio de filmes de cowboy, pausadamente e sem articulação, sempre pregando alguma filosofia possivelmente indígena e meia boca.

Vulcão Negro

Vulcão Negro (que de negro só tinha a pele um duvidoso collant sem calças) tinha o poder de se transformar em um raio-humano, voar a grandes velocidades e descarregar correntes elétricas pelos dedos. Não seria melhor “Trovão Negro”? Ou então dar a ele poderes envolvendo fogo, magma etc? Depois dessa besteira fizeram o óbvio e colocaram no programa o Cyborg, que era um personagem muito melhor desenvolvido e também representava os afroamericanos (ou pelo menos pela metade). Tem uma cena muito engraçada no desenho “Supershock”, onde o herói experimenta vários uniformes, um deles é o do Vulcão Negro.

Samurai

Era uma espécie de Trovão Negro, mas com o elemento ar. Tinha o poder de ficar invisível e domar os ventos, transformava seu corpo em um tufão e podia arremessar correntes de ar velozes sobre seus inimigos. Era um sujeito paciente e sábio, como todo clichê de oriental. Não me lembro se era realmente um samurai…. acho que se o nome veio mesmo da pura ignorância da cultura oriental. Tinha tambem o poder de ganhar do Super-homem no xadrez  e outras habilidades esquisitas:

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El Dorado

Não sei porque, mas esse era meu favorito, provavelmente por ter os poderes mais úteis. El-Dorado era um herói mexicano descamisado, sem dinheiro até pra completar seu uniforme. Descendente de Astecas, ele podia ler mentes, ficar invisível, teleportar-se se cobrindo com sua capa (muito útil contra o pessoal da imigração), disparar raios solares dos olhos e criar ilusões, mas no original, falava com um inglês todo errado, carregando no sotaque espanhol estereotipado, usando palavras em espanhol  sem nenhum motivo aparente.

Para saber mais assista ao MAIS UMA COISA – COTAS PARA SUPER HERÓIS!

Lembra de mais uma participação ridícula desses personagens (ou de algum outro) nos desenhos? Contribua deixando um comentário!