Estados Unidos e a guerra inevitável.

Escrito por Pablo Peixoto em 02.03.2011

Guerras sempre fizeram um bem danado aos governos norte americanos, o Vietnam salvou Kennedy, a Bósnia salvou Clinton, O Iraque salvou Bush pai e filho. É a velha máxima do “Plano Veidt”, o personagem da Graphic Novel Watchmen que planejava acabar com a guerra fria (leia-se nuclear) criando um inimigo externo que iria unir o mundo. Na vida real, o governo Obama anda mal das pernas. Sem conseguir as reformas que pretendia, vê a reformulação do sistema de saúde americano regredir, perde o apoio das esquerdas que o acusam de fazer concessões demais e é massacrado impiedosamente pela direita.

Enquanto isso o tal Tea Party (extrema direita americana) cria danos catastróficos a administração democrata, como vimos nas últimas eleições legislativas, onde seu partido perdeu a maioria no congresso. Isso pode representar o estancamento de todo o tal processo de “mudança” prometido em campanha. Resultado: a popularidade despencou, a boa-vontade internacional também anda em baixa. Nesse momento, quando se pensa que Obama não vai nem ao menos conseguir se reeleger, chega da Líbia um presente que pode mudar o rumo da opinião pública americana. E este presente atende pelo nome de Muamar Kadafi.

Nos estados Unidos já se fala em invasão da Líbia por tropas da OTAN. Uma ação complicada, já que, falando na linguagem do jogo War, Os EUA não têm mais muitas pecinhas para colocar em novos territórios conquistados. Porém, uma ação dura contra o governo Líbio pode devolver à administração Obama (logo ele que ganhou o Nobel da Paz antecipado) a credibilidade necessária para tentar a reeleição. E o governo democrata já percebeu isso: O comando militar americano anunciou que está deslocando forças navais e aéreas para, segundo o Pentágono, “proporcionar opções e flexibilidade” e já começam a aparecer a essa altura acusações de que a Líbia possui armas de destruição em massa. (Já viram esse filme?)

Os Estados Unidos são uma nação que nasceu da guerra, cresceu graças à guerra e ainda conta com a guerra para resolver todos seus problemas internos e externos. Essa tendência ao belicismo acaba invariavelmente tocando os rumos dos governos daquele país, seja ele negro, branco, velho, jovem, republicano ou democrata. O Big Stick. A diplomacia do canhão.